Se eu morresse amanhã...

Se Eu Morresse Amanhã


Se eu morresse amanhã, viria ao menos
Fechar meus olhos minha triste irmã,
Minha mãe de saudades morreria
Se eu morresse amanhã!


Quanta glória pressinto em meu futuro!
Que aurora de porvir e que manhã!
Eu perdera chorando essas coroas
Se eu morresse amanhã!


Que sol! que céu azul! que doce n’alva
Acorda ti natureza mais louçã!
Não me batera tanto amor no peito
Se eu morresse amanhã!


Mas essa dor da vida que devora
A ânsia de glória, o dolorido afã...
A dor no peito emudecera ao menos
Se eu morresse amanhã!

Comentários

Sônia,
Sinatra invadiu minha casa com New York, uma excelente escolha.
Agora, ao som de Moon River, que te escrevo, apreciando esse poema que me fez pensar um pouco.
Não pretendo morrer nem tão cedo e as dificuldades da vida não me fazem pensar nisso.
Vim conhecer seu blog e para minha alegria, uma conterrânea.
Belo blog.
Xeros
Vera Lúcia disse…
Olá querida,

Sinatra, eterno Sinatra! Gosto demais de ouvi-lo.

Quanto ao poema, embora a morte seja inevitável, deixemos de lado a possibilidade de aventá-la, pelo menos por enquanto (rsrsrsrs).

Beijos.
Calma, calma... Não estou pensando em morrer agora. Apesar desse jeito ultrarromântico do Álvares de Azevedo, é exatamente esta característica que logo nos remete à ideia de algo excessivo, realizado em demasia. Os poetas dessa geração tinham a questão do culto ao pessimismo, ao sentimentalismo exacerbado, ao desejo de morrer como refúgio, em decorrência do amor não correspondido, levavam os escritores a optar por lugares sombrios, úmidos e tenebrosos.

É assim que eu os imagino, boemios inveterados, amavam geralmente mulheres comprometidas.

É minha homenagem, Morreu aos 21 anos, sem ao menos ter publicado nenhuma de suas obras, entre as quais se destacam: Lira dos vinte anos, Poesias Diversas, O poema do frade, Macário (teatro), Noite na taverna (conjunto de narrativas fantásticas), além de discursos e cartas.

Há beleza no feio, a tristeza é feia.

Sônia

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